Piratas e Cthulhu: A Isla de La Matanza

Uma trama para uma aventura caribenha com Piratas & Cthulhu, inspirado pela Ilha do Tesouro e por Latitudes Piratas, de Michael Crichton, pelo jogo Sid Meyer´s Pirates Gold e pelas músicas do Matanza.

ataque pirata

A Isla de La Matanza tem esse nome pois os primeiros nativos que os espanhóis encontraram ao chegar nas ilhas do caribe falavam de uma raça de canibais que habitava uma ilha próxima e sequestrava mulheres e crianças para sacrificá-las aos seus deuses profanos.

Os índios chamavam essas ilha de Ilha da Matança ou Ilha da Morte. E assim, os espanhóis a denominaram Isla de La Matanza ou Isla de La Muerte. Os nativos das outras ilhas da região diziam que na Isla de La Matanza existia muito ouro, oferecido pelos canibais de lá aos seus deuses.

Alguns exploradores espanhóis procuraram pela ilha, mas nunca a encontraram. Embora alguns náufragos vez ou outra falavam de uma ilha encontrada no meio de um nevoeiro. Com a descoberta de ouro no México, a história da ilha foi esquecida. Até que  o capitão inglês Drake a teria encontrado em sua viagem, após ouvir relatos de um  destes náufragos. Ele a teria marcado em um mapa, mas este se perdeu. Até entrar em posse de uma certo Capitão Vennick.

O capitão Vennick acabou morto, traído por membros de sua tripulação ou afundado pelos espanhóis ao tentar roubar Cartagena. O mapa da Isla de La Matanza se perdeu de novo. Embora alguns digam que um dos marujos da tripulação de Vennick sobreviveu e guarda o mapa.

As conversas sobre os selvagens canibais e enormes monstros marinhos que atacam os barcos que aportam na ilha assustam os marujos dos portos do Caribe, mas nem sempre o suficiente para vencer-lhes a cobiça.

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O mapa, dizem, aponta para um local além da ilha de Granada, em direção à costa do continente. Acredita-se que a ilha fica em um trecho entre a Isla Blanquila e a Isla Margarita, mas ninguém vivo viu o mapa para confirmar.

Duas pedras marcam no mapa o caminho seguro para a ilha entre os bancos de corais externos da ilha. O perigo são os furações e os constantes nevoeiros da região em torno da ilha.

Além das Pedras do Portal, como estão marcadas no mapa, ficam os recifes que formam a linha interna de corais. É preciso uma vigília constante para descobrir a passagem.  Após os recifes, o nevoeiro parece se abrir e pode-se descortinar a Isla de La Matanza.

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O desenho do mapa mostra uma única montanha no meio da ilha. Para chegar até lá parece ser preciso atravessar uma floresta selvagem, na qual o autor do mapa desenhou cobras e algumas plantas fora de proporção.

No meio da subida da montanha, um desenho de uma caveira com um olhar maligno e sem boca parece marcar a entrada de uma caverna. Outro desenho do lado da marca da caverna mostra o que parece ser um morcego disforme mal desenhado, com asas maiores do que deveria ter.

Existe ainda um pequeno X marcado do outro lado da montanha, perto de meia dúzia do que parecem ser cabanas com uma fogueira no meio e desenho de selvagens dançando em volta dela e queimando o que parece ser um espanhol (pelo que indica o que parece ser o desenho de uma capacete espanhol na cabeça da vítima).

Se realmente há ouro ou pedras preciosas dentro da montanha ninguém parece ter até hoje confirmado. Exceto um velho marujo que pode ser encontrado em uma taverna de Port Royal, dizendo ter feito parte da tripulação do Capitão Vennick, e ter visto um templo indígena com montes de ouros e jóias espalhados pelo chão… e terrores inomináveis. Mas ninguém acredita no velho Ben, o bêbado da taverna.

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Era uma noite chuvosa, com um nevoeiro que vinha da direção do mar, quando a aventura que nos levou a enfrentar franceses, espanhóis e monstros ainda mais temíveis começou…

Eu já havia ouvido as histórias do velho Ben uma dezena de vezes, e os detalhes sempre mudavam um pouco. Mas havia uma parte que Ben nunca mudava e que sempre dava arrepios em meu jovem coração. O leitor talvez nunca tenha ouvido falar das lendas do mar… mas, bem, vamos a história, a partir do momento em que eles encontraram a ilha com o tesouro, como eu me lembro de Ben a contando:

“O bote com o Capitão Vennick, o contramestre Hobbes, eu mesmo e mais sete marujos se aproximou da costa tempestuosa da Ilha da Caveira. O outro bote que partira do Bloodstone virou ao tentar passar pela arrebentação. Nós ouvimos os gritos dos homens abafados pelos trovões e pelo barulho das ondas” – e com isso ele batia sua caneca com força na mesa. E lá fora da estalagem a tempestade parecia aumentar.

“Os gritos logo pararam. Dez companheiros haviam morrido no mar, ao nosso lado. Isso era um enorme sinal de azar. Alguns dos marujos faziam o sinal da cruz. Nosso bote milagrosamente chegou a praia. Desembarcamos em uma pequena baia na costa oeste da ilha. Por sorte havíamos protegido nossas armas e munição contra a água, enrolando-as em um pesado tecido oleado. Armados, avançamos em direção a ilha e ao tesouro. O tesouro que o próprio Drake havia tentado capturar”.

“Adiante, além do som dos trovões podíamos ouvir uma batida ritmada. O barulho de uma centena de tambores. Nos aproximamos cautelosos, subindo a montanha mais alta da ilha. Era um avanço difícil, em meio à chuva e o vento. No alto, encontramos uma construção na entrada de uma caverna. Parecia um templo antigo desses selvagens do continente. Uma construção de pedras pesadas, com o rosto de um demônio esculpido na entrada da caverna”.

“Alguns titubearam, mas o capitão seguiu em frente. Eu o acompanhei. Os outros acabaram ganhando coragem, ou foi o medo de ficarem lá fora, na floresta escura, que os fez seguir o capitão. Atravessamos a caverna, ouvindo o barulho dos tambores cada vez mais alto. A frente, dois selvagens guardavam o caminho na caverna. Eu e o capitão nos aproximamos sorrateiramente e os matamos. Os outros nos seguiram”.

Lá fora, no porto, um novo trovão caiu e iluminou a taverna. Aqueles que nunca haviam escutado essa história estavam calados, atentos ao velho Ben. Ele esperou o som do trovão parar e continuou:

“E então avançamos até chegar a um grande espaço aberto no centro da montanha. Nele uma centena de índios selvagens com os rostos pintados em horríveis padrões dançavam ao redor de um altar. Um feiticeiro erguia uma faca de pedra verde, pingando de sangue. Pois no chão estavam os corpos de vários marujos de um navio espanhol que havíamos visto afundar do outro lado da ilha. O feiticeiro havia acabado de enfiar sua adaga no coração do capitão do navio. E agora a última vítima era arrastada em direção ao altar. Os índios gritavam: “Ph’nglui mglw’nafh Cthulhu R’lyeh wgah’nagl fhtagn”, gritou o velho Ben, enquanto se levantava e batia com sua caneca na mesa.

Um outro trovão ressoou bem no momento em que o velho marujo imitava o canto dos índios. Um dos garotos que ouvia o velho Ben derrubou o copo com metade da cerveja ao ouvi-lo pronunciar aquelas palavras em uma língua indígena que eu nunca soube dizer qual era. Eu mesmo tremi novamente nas bases. Acho que todos os marujos na taverna tremeram.

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